A insônia faz com que eu lembre de quando escrevia coisas tristes. De repente tudo mudou, e as histórias ficaram cada vez mais otimistas e alegres. Hoje não estou triste e nem feliz, apenas confuso e indeciso. As inúmeras lembranças de momentos de felicidade misturam-se com outros que seria melhor apagar da memória. Não tenho vontade de sair de casa, ainda mais agora que minhas aulas acabaram. Sinto que não sou mais útil para o sistema, uma peça que perdeu sua utilidade e por isso posso ficar observando tudo que está em minha volta. Seria bom se eu fosse invisível, ninguém saberia da minha presença, eu escutaria tudo e finalmente descobriria se realmente falam mal de mim ou se é apenas coisa da minha cabeça. Hoje eu achei umas cartas e pedaços de papel perdidos, ler essas coisa serve somente pra me deixar cada vez mais perdido e confuso. O sorriso aparece no rosto e uma dor no peito aumenta sem parar, sentimentos ambígüos que não poderiam faltar, aliás é tudo uma questão de clichê. Se eu pegasse tudo que escrevi sobre mim daria pra fazer um livro ou algo parecido que contasse a história da minha vida, poderia ser algo fora de ordem cronológica, em que eu contaria os fatos conforme eu fosse lembrando das coisas, algo típico pra alguém esquecido como eu. Quando era criança, imaginava que eu vivia dentro de um filme, ou dentro de um sonho de alguém, sempre imaginei o mundo em que vivemos como uma grande conspiração. Acho que os Deuses conspiram contra tudo, somos apenas um experimento, e Marte será a nova Terra assim como aconteceu de Mercúrio para Vênus e assim será sucessivamente, mas tudo que aconteceu antes não se repete no mundo seguinte, se realmente for assim, será que eu terei uma vida melhor no novo mundo?